O início de uma história de amor


Levantei mais cedo que o normal hoje, não consegui dormir direito, fiquei a noite toda pensando naquele homem. Aquele sorriso despretensioso que era a certeza de problema. Ouvi os meus instintos e fui embora, mas como todo ser humano regado a luxúria, meu corpo não conseguiu acompanhar o meu cérebro. Ele adora me colocar nas mais diversas furadas.
Vesti o robe e abri a janela do quarto. Nunca havia visto paisagem mais magnífica, valeu a pena cada real que eu gastei nesse hotel, e olha que não foram poucos. Escolhi esse hotel apenas por essa vista, mas é claro que não pensei no valor exorbitante que terei que pagar no check-out. 
Aproveito o que me é direito e decido tomar o café da manhã na varanda. Uma das coisas que mais gostei desse lugar, com certeza, é o serviço de quarto, apenas uma ligação e meu café já estava preparado na mesinha para dois que fica na varanda. Agradeço a camareira e saboreio a enorme quantidade de comida que me foi servida. 
Olho para o mar e relembro a noite passada, ele estava usando uma blusa de linho branca de botões com uma bermuda creme, parecia que havia sido feita sob medida, ressaltou cada músculo daquele corpo que exclamava pecado. Estava de chinelo e os cabelos bagunçados, como se dissesse que não demorou para se arrumar, como se não se importasse com a vaidade. E aqueles dois botões abertos, fiquei hipnotizada a noite toda com aquela pele exposta, eram um convite a todos os pensamentos impuros que uma mulher é capaz de ter. Lembro do seu sotaque, não sei se faz ideia do quanto é sexy, ou o quanto eu desejei aquela voz sussurrando malícias em meu ouvido. 
Meus pensamentos me envergonham, quando eu passei a ser esse tipo de mulher. Conhece um homem em uma noite e já começa a ter desejos eróticos por ele? Sinto meu rosto esquentar, me repreendo e termino o meu café.
Decido que vou a piscina, não quero voltar a praia e encontrar com o homem de ontem a noite. Visto meu biquíni, coloco tudo o que preciso na minha bolsa, junto com o meu chapéu, a saída de praia meus óculos escuros e desço. 
A piscina está lotada, tem crianças para todo o lado, correndo, pulando descontroladamente e espirrando água para todo lado. Escolho um lugar afastado delas, deito na espreguiçadeira e observo o caos ao meu redor. Quando planejei essa viagem ao litoral não imaginava essa zorra. Pensei em tranquilidade, aproveitando o mar, com uma pina colada na mão e areia nos meus pés. Ao invés disso, tenha crianças correndo e gritando. Essa parte ninguém te avisa. Não vou ser uma chata de galocha hoje, vou aproveitar como um ser humano participante desse caos.
Respiro fundo e relaxo. Foram apenas alguns minutos de paz, já que alguém deitou na espreguiçadeira a meu lado. Com um pouco de irritação, olho para para ver quem é a pessoa que está ao meu lado. 
Eu não acredito! Qual a possibilidade de algo assim acontecer? Mas que droga. Sei que estou parecendo uma louca com os olhos arregalados, a boca entreaberta e completamente petrificada. 
Diga alguma coisa ou olhe para o outro lado. Não seja tão esquisita.
Digo bom dia para o homem lindo ao meu lado, o mesmo da noite anterior.
...
Mara Cavalcanti

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