Renascimento




Abro a página que consta a carta que escrevi a dois dias, ainda continua no mesmo lugar. Não tive coragem de enviar. Estou fazendo a coisa certa? Não paro de me questionar quanto a isso. No íntimo do meu ser sei que essa seria a melhor saída, mas também não seria a mais covarde? Coloco esses pensamentos no fundo da gaveta da minha mente, no mesmo lugar que os venho colocando a meses. Não irei permitir que o medo me impeça de fazer aquilo que sei que será o melhor para mim.

Continuo olhando as palavras que escrevi, quero clicar no ícone de enviar, mas a minha mão está tremendo. Nesse momento percebo que estou chorando. Quando eu comecei a chorar? Não me lembro dos meus olhos arderem, ou da minha garganta fechando. Chorar tornou-se tão normal nesses últimos tempos, que já tornou-se uma tarefa automática, como respirar. 

Uma lágrima escorre pela minha bochecha e pousa delicadamente na letra J. Estaria eu a imaginar coisas? Seria apenas uma coincidência? Ou o destino estaria a zombar da minha cara? Me mostrando quão insignificante sou? Fecho os olhos com força, e nesse momento toda a dor que venho guardando explode dentro de mim. Começo a soluçar, todo o meu corpo treme com a força dos meus soluços. A minha dor é tão forte, tão palpável, que não consigo ficar ereta, deito com os joelhos encostando no meu peito, enfio a cabeça no travesseiro e grito. Grito como nunca gritei na vida, grito até a minha garganta doer. Coloco tudo para fora, toda a vergonha, toda tristeza, toda dor.

Sinto uma mão pousar na minha cabeça, o toque é tão pesado que me impede de levantar, mas, ao mesmo tempo é terno e gentil. Ouço, bem baixinho, como se a voz viesse do fundo da minha mente, uma frase, que continua a se repetir, até que por fim, consigo entendê-la: "EU SEMPRE ESTAREI COM VOCÊ ".

Levanto de sobressalto e não há ninguém aqui, tento sentir a presença novamente, mas não há nada, apenas o vazio. Volto a olhar o computador, para a carta. Meus olhos pousam no teclado e lá está minha lágrima, fazendo a letra J destoar-se das demais. Sorrio sem pensar. É isso. Você está comigo. Você não me abandonou, mesmo depois que eu o abandonei, você continuou comigo. 

Nesse exato momento, faço uma promessa a você. Sempre estaremos juntos, não importa a situação,  não importa o quão confusa e machucada eu esteja, eu nunca o abandonarei.
Selo essa promessa apagando o arquivo. Não precisarei mais dele.
Pego o telefone e disco o número que conheço bem. 
Chegou o momento. 
 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O início de uma história de amor

Último adeus