Espere por mim
Abro os meus olhos. Vejo pela
fresta da janela que o sol já acordou faz tempo, implorando para que eu o
admire, que me mostre ao mundo. O ignoro e continuo deitada, mesmo depois do
meu corpo pedir para que o movimente. Olho para o despertador e vejo as horas,
engraçado que ainda não são dez da manhã, não entendo essa minha necessidade de
recusar acordar antes das dez, mas hoje não, hoje eu irei levantar. Sinto o
calor tomar meu corpo assim que levanto da cama. Me questiono se devo tomar um
banho. Dizem que é muito bom para começar o dia. Decido por não, até porque meu
dia será como todos os outros, sem grandes expectativas.
Abro o armário e me preparo para
tomar meu café da manhã. Hoje minhas opções não são diferentes dos outros dias.
Uma tarefa automática que me é tão familiar. Escolho o de sempre, pão francês
com manteiga e café, que ainda preciso fazer. Sento na mesa sozinha, passo manteiga
no pão, tomo meu café e percebo que mais uma vez errei na proporção, está sem
gosto e doce demais.
Começo a pensar no quanto a minha
vida é totalmente insignificante, no quanto os dias continuam a passar sem
maiores revelações. Advirto-me mentalmente, não quero me entristecer tão cedo. Deixo
meus pensamentos divagarem, que explore lugares que gostaria de conhecer,
pessoas que adoraria conversar, livros que gostaria de ler. Em uma vida onde a
felicidade fosse realidade. Não foi uma sábia decisão, devo confessar, meu cérebro
sempre opta por ir em uma direção que eu não gostaria de tomar, e o que me
espera ao final já me é bastante conhecido. Ela costuma ficar à espreita,
esperando o momento certo para revelar-se. E por vontade própria deixei que me alcançasse. Ponto para ela e menos um para mim.
Neste momento percebo que mais
uma vez eu falhei, mal começou o dia e já sei que ele não será diferente. O
desânimo já se faz presente, sinto-o em cada célula do meu corpo. Termino o meu
café sem sentir os sabores, e retorno para a cama. Mais uma vez deixei o sol me
esperando.
Mara Cavalcanti

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